Como explicar para as crianças sobre a morte

Como explicar para as crianças sobre a morte

IMG_5558-720x264 Como explicar para as crianças sobre a morte

(Esse relato é sobre o Theo que tem 6 anos)

Minha mãe faleceu quando eu tinha 24 anos e lembro até hoje que para mim que já era “velha” não foi fácil lidar com o luto imaginem para uma criança que ainda não controla seus sentimentos.

Theo e sua curiosidade sempre me questionou sobre o tema de eu não ter mais “Mamãe” e eu dizia quando ele era menor que ela tinha virado uma estrelinha e aos poucos essa explicação mudou conforme ele foi crescendo e entendendo mais, passou para, foi morar ao lado do “Papai do céu” até entender que ela morreu.

Desde que meu sogro começou a ficar doente eu comecei a me preparar para esse dia e sempre me questionei como falar sobre isso com o Theo. Medo, pavor, luto, isso realmente mexe com qualquer um. Perder alguém querido não é fácil e requer muito mais que um emocional forte.

No feriado de Corpus Christi viemos para Minas e meu sogro já não estava bem. Realmente depois de um ano de quimioterapia que ele enfrentou com muita garra e força, no começo desse ano uma dor grande na coluna levou ele para cama e a situação só piorou, mesmo com medicamentos e idas ao médico.

Ele já não se alimentava bem, não andava mais e Theo ficou bem impressionado com toda a situação.

Quando voltamos para São Paulo e para rotina o reflexo desse sentimento veio em forma de xixi na cama e de uma criança muito sensível, chorando por tudo.

Falei com as professoras, orientadoras e a direção da escola e elas me ajudaram muito a trabalhar antes dentro de mim esse sentimento e como conversar com o Theo sobre o que poderia acontecer a qualquer momento. Juro que eu rezava todos os dias para demorar para chegar esse dia mas na terça-feira, dia 27 de junho as 9 horas da manhã, ele depois do banho  passou mal e partiu com serenidade e tranquilidade.

Saímos da escola rumo à Minas e ele questionou a razão, e eu com uma calma que não sei de onde consegui avisei ele que como ele sabia o vovô estava doente, e que ele nesse momento tinha partido para morar junto ao Papai do céu, igual a minha mãe. Ele parou, digeriu, chorou, perguntou se realmente o vovô tinha morrido e eu disse que sim.

Avisei que nesse momento era preciso estar perto da vovó, da madrinha e do padrinho e dar muito amor e carinho para eles nessa hora, inclusive amor e carinho para o Papai. Contei que se ele quisesse chorar poderia pois  realmente todos estávamos tristes mas que esse sentimento iria passar um dia.

Chegamos em Minas e perguntei se ele gostaria de ver o vovô dormindo e ele disse que sim. Ficamos um pouco no velório e depois ele foi visitar a casa do amiguinho e sair um pouco dessa nuvem de tristeza.

Saiu um pouco e foi brincar e ser criança. Quando fui buscá-lo para dar banho e colocar ele na cama ele me surpreendeu ainda mais!!!

Ele ” – Mamãe, onde está a madrinha e a vovó?”

Eu ” – Estão no velório rezando pelo vovô”

Ele ” – Mas elas ainda estão lá chorando?”

Eu ” – Sim!!!”

Ele ” – Mas elas vão chorar a noite inteira lá sem parar?”

E o que dizer dessa lição de vida?

Sinto que ele compreende melhor que nos adultos e que realmente ele me ensina diariamente. Não adianta muito eu ler e buscar milhões de análises psicológicas sobre como agir e fazer. A vida é assim e a vida com ele é um eterno aprendizado.

Sim, ele está triste, quis ir ao enterro, colocou uma flor sobre a lápide e acho que o segredo sempre é e será respeitar a vontade dele é sempre, sempre falar a vida como ela é!