Como explicar para as crianças sobre a morte
Como explicar para as crianças sobre a morte

(Esse relato é sobre o Theo que tem 6 anos)
Minha mãe faleceu quando eu tinha 24 anos e lembro até hoje que para mim que já era “velha” não foi fácil lidar com o luto imaginem para uma criança que ainda não controla seus sentimentos.
Theo e sua curiosidade sempre me questionou sobre o tema de eu não ter mais “Mamãe” e eu dizia quando ele era menor que ela tinha virado uma estrelinha e aos poucos essa explicação mudou conforme ele foi crescendo e entendendo mais, passou para, foi morar ao lado do “Papai do céu” até entender que ela morreu.
Desde que meu sogro começou a ficar doente eu comecei a me preparar para esse dia e sempre me questionei como falar sobre isso com o Theo. Medo, pavor, luto, isso realmente mexe com qualquer um. Perder alguém querido não é fácil e requer muito mais que um emocional forte.
No feriado de Corpus Christi viemos para Minas e meu sogro já não estava bem. Realmente depois de um ano de quimioterapia que ele enfrentou com muita garra e força, no começo desse ano uma dor grande na coluna levou ele para cama e a situação só piorou, mesmo com medicamentos e idas ao médico.
Ele já não se alimentava bem, não andava mais e Theo ficou bem impressionado com toda a situação.
Quando voltamos para São Paulo e para rotina o reflexo desse sentimento veio em forma de xixi na cama e de uma criança muito sensível, chorando por tudo.
Falei com as professoras, orientadoras e a direção da escola e elas me ajudaram muito a trabalhar antes dentro de mim esse sentimento e como conversar com o Theo sobre o que poderia acontecer a qualquer momento. Juro que eu rezava todos os dias para demorar para chegar esse dia mas na terça-feira, dia 27 de junho as 9 horas da manhã, ele depois do banho passou mal e partiu com serenidade e tranquilidade.
Saímos da escola rumo à Minas e ele questionou a razão, e eu com uma calma que não sei de onde consegui avisei ele que como ele sabia o vovô estava doente, e que ele nesse momento tinha partido para morar junto ao Papai do céu, igual a minha mãe. Ele parou, digeriu, chorou, perguntou se realmente o vovô tinha morrido e eu disse que sim.
Avisei que nesse momento era preciso estar perto da vovó, da madrinha e do padrinho e dar muito amor e carinho para eles nessa hora, inclusive amor e carinho para o Papai. Contei que se ele quisesse chorar poderia pois realmente todos estávamos tristes mas que esse sentimento iria passar um dia.
Chegamos em Minas e perguntei se ele gostaria de ver o vovô dormindo e ele disse que sim. Ficamos um pouco no velório e depois ele foi visitar a casa do amiguinho e sair um pouco dessa nuvem de tristeza.
Saiu um pouco e foi brincar e ser criança. Quando fui buscá-lo para dar banho e colocar ele na cama ele me surpreendeu ainda mais!!!
Ele ” – Mamãe, onde está a madrinha e a vovó?”
Eu ” – Estão no velório rezando pelo vovô”
Ele ” – Mas elas ainda estão lá chorando?”
Eu ” – Sim!!!”
Ele ” – Mas elas vão chorar a noite inteira lá sem parar?”
E o que dizer dessa lição de vida?
Sinto que ele compreende melhor que nos adultos e que realmente ele me ensina diariamente. Não adianta muito eu ler e buscar milhões de análises psicológicas sobre como agir e fazer. A vida é assim e a vida com ele é um eterno aprendizado.
Sim, ele está triste, quis ir ao enterro, colocou uma flor sobre a lápide e acho que o segredo sempre é e será respeitar a vontade dele é sempre, sempre falar a vida como ela é!


junho 28, 2017 @ 11:33 pm
Que lindo Dri. Sem dúvida viver esse luto rodeado de amor e respeito pelos sentimentoa dele vai trazer muito aprendizado para o Theo. Admiro você que mesmo diante da dor conseguiu que esse processo se desencadeasse de maneira natural para ele (ja que isso eh algo que faz parte da vida). Vibro pra que Deus conforte o coração de vocês. Bjs com mto carinho Fer