Medidas de higienização para a proteção do aparelho respiratório
Medidas de higienização para a proteção do aparelho respiratório

Sempre quando atendo à domicílio crianças com problemas respiratórios, em um primeiro momento tento esclarecer aos pais um pouco sobre as doenças. Em um segundo momento, procuro enfatizar a necessidade de uma boa higiene nasal e a importância de manter alguns bons hábitos afim de evitar uma “nova” contaminação e colonização de fungos e bactérias ao redor da criança. A importância de uma boa assepsia, utilizando materiais devidamente limpos a cada uso, é de extrema importância e ajuda a evitar o surgimento deste problema invisível aos nossos olhos. Abaixo seguem algumas dicas de como devemos proceder:
Soro fisiológico: O soro fisiológico é um líquido estéril que possui características isotônicas em relação aos líquidos corporais. Isso quer dizer que o soro não possui diferença de concentração de elementos químicos que possam alterar ou interferir no funcionamento de alguma célula do corpo. Daí a necessidade de manter o soro em ambiente refrigerado após a utilização, por no máximo 7 dias ( tempo variável na literatura), e de não utilizar o soro caseiro, (muitas vezes ensinado a ser feito na internet) para limpar as narinas. O risco de um engasgo e de uma broncoaspiração é sempre presente e esse soro caseiro, não sendo estéril, pode vir a aumentar as chances de uma “nova” contaminação. E, além do mais, a solução caseira não respeita a concentração de sódio ideal inofensiva às células do corpo.
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No caso da utilização de soro fisiológico em unidoses (tubinhos plásticos de 5ml), nunca reaproveitá-lo. Descartar o restante que permaneceu no frasco após a utilização do mesmo.
Nebulizador: a higienização dos aparelhos de nebulização é outro fator preocupante pois existe uma certa negligência em relação à essa conduta que, pra mim, talvez seja uma das principais a serem realizadas com cuidado e frequentemente. TODOS OS COMPONENTES DE PASSAGEM DO AR DEVEM SER LAVADOS. Trata-se de um material de uso diário e, muitas vezes, utilizado por outros membros da família em um mesmo período. E por essa razão, é imprescindível deixá-lo sempre limpo (com água corrente e sabão) logo após o uso. Essa conduta visa reduzir o risco de uma proliferação de fungos e bactérias no material, visto que o mesmo fica húmido após a utilização.
Espaçadores para aerossóis: Os espaçadores são usados para aumentar a eficácia de entrada do medicamento até boca da criança, sem levar em conta o ritmo respiratório e a sincronia com a inspiração. São adaptados nas bombinhas contendo medicamentos a serem inalados e, de acordo com a prescrição médica, sua utilização pode ser frequente durante um determinado período. Para estes também existe uma falta de cuidados maiores após sua utilização. Por se tratar de um medicamento ( a maioria das vezes em forma de pó) que se encontra em suspensão, o que é enviado dentro do espaçador são micropartículas desse medicamento. Muitas vezes esse material não é lavado ou lavado de forma incorreta. A dica é, após lavar o espaçador, deixá-lo ao ar livre, SEM UTILIZAR PAPEL OU TECIDO PARA SECÁ-LO, pois esse atrito gera um campo eletrostático no interior e, no momento de utilizá-lo, as micropartículas são atraídas pela parede interna do plástico e não conseguem chegar de forma desejada até a boca.
Higienização da boca: em crianças que fazem o uso contínuo de aerossóis ( bombinhas) contendo corticóides, é essencial lavar a boca da criança logo após o uso das mesmas. Estudos mostram que, em alguns casos, a cortisona presente no medicamento pode favorecer o surgimento de micoses bucais.
E para finalizar, manter o ambiente domiciliar limpo e bem arejado, trocar constantemente as roupas de cama e lavar os brinquedos sempre que possível são medidas incontestáveis a serem mantidas onde toda a família se beneficiará.
