Tire suas dúvidas sobre o Zika vírus e os casos de microcefalia
Tire suas dúvidas sobre o Zika vírus e os casos de microcefalia
Com a colaboração da Saude4Kids as pediatras Fernanda, Ana e Rafaella escreveram um texto importante com as principais dúvidas e perguntas sobre o Zika Virus
Em 2016 elas estarão aqui no site como colaboradoras e respondendo as perguntas das Mamães e dando informações importantes.
Tire suas dúvidas sobre o Zika vírus e os casos de microcefalia
O que é o Zika Vírus?
É um vírus do grupo dos arbovírus, da mesma família do vírus da dengue e Chikungunya. Acredita-se que esse vírus tenha sido introduzido no Brasil em 2014. Recentemente foram notificados casos de microcefalia em fetos e confirmada a associação com infecção por Zika. No último boletim do Ministério da Saúde foram registrados 2.401 casos da doença e 29 óbitos, até 12 de dezembro deste ano. Esses casos estão distribuídos em 549 municípios de 20 estados.
Quais são os sintomas da infecção pelo Zika?
Os sintomas são parecidos com os da dengue, mas geralmente o quadro é mais leve, podendo ser assintomático em até 80% dos casos.
A Dengue e a Chikungunya têm sintomas e sinais parecidos, enquanto a Dengue se destaca pelas dores nos corpo, a Chikungunya se destaca por dores e inchaço nas articulações. Já a Zika se destaca por uma febre mais baixa (ou ausência de febre), muitas manchas na pele e coceira no corpo.
– Dengue: O primeiro sintoma da Dengue é a febre alta, entre 39° e 40°C. Tem início repentino e geralmente dura de 2 a 7 dias, acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e articulações, prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e coceira no corpo. Pode haver perda de peso, náuseas e vômitos.
– Chikungunya: Apresenta sintomas como febre alta, dor muscular e nas articulações, dor de cabeça e exantema (erupção na pele). Os sinais costumam durar de 3 a 10 dias.
– Zika: Tem como principal sintoma o exantema (erupção na pele) com coceira, febre baixa (ou ausência de febre), olhos vermelhos sem secreção ou coceira, dor nas articulações, dor nos músculos e dor de cabeça. Normalmente os sintomas desaparecem após 3 a 7 dias.
Em que período da gestação é mais perigoso contrair o Zika?
A tese mais provável é que o maior risco ocorreria ainda no primeiro trimestre da gestação. Isso se deve à constatação de que os primeiros meses de gestação das mulheres com crianças microcefálicas correspondem ao período em que houve maior circulação do vírus Zika na região Nordeste. No entanto, ao contrário de outros órgãos, o sistema nervoso central apresenta desenvolvimento durante toda a gestação, permanecendo suscetível a complicações. Os pesquisadores ainda precisam decifrar como o zika atua no organismo e ataca o sistema nervoso dos fetos para poder saber qual o período de maior vulnerabilidade para gestantes.
O que é a microcefalia?
Mal formação fetal grave. O bebê nasce com a cabeça pequena, com o perímetro cefálico menor do que os 32 centímetros considerados normais. Além de trazer risco de morte, a condição pode ter sequelas graves para os bebês que sobrevivem, como dificuldades psicomotoras (no andar e no falar) e cognitivas (como retardo mental).
Gestantes e crianças podem usar repelente?
Produtos repelentes de uso tópico podem ser utilizados por gestantes, desde que estejam devidamente registrados na ANVISA e que sejam seguidas as instruções de uso descritas no rótulo. Mulheres que amamentam também podem usar.
A consulta de cosméticos repelentes regularizados na ANVISA pode ser feita no endereço http://www7.anvisa.gov.br/datavisa/Consulta_Produto/consulta_cosmetico.asp.
E os sprays inseticidas de ambiente?
Também podem ser utilizados em ambientes frequentados por gestantes, desde que estejam devidamente registrados na ANVISA e que sejam seguidas as instruções de uso descritas no rótulo. Ou seja, pode usar mas tem que cuidado para não exagerar pois uma superexposição da gestante ao produto pode não ser segura.
E os repelentes naturais? Pode usar?
Os repelente “naturais” à base de citronela, andiroba, óleo de cravo, entre outros, não possuem comprovação de eficácia nem a aprovação pela ANVISA até o momento. Os produtos que se encontram atualmente regularizados na ANVISA com tais componentes possuem sempre outra substância como princípio ativo. Os repelentes naturais são altamente voláteis e seu efeito costuma ser de curta duração, então não garantem proteção adequada ao Aedes aegypti. Ou seja, repelente natural não adianta porque você mal passou e a proteção já acabou!
Quais repelentes podem ser usados para proteger do Aedes aegypt?
Os princípios ativos dos repelentes recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) são:
– Icaridina (KB3023): uso permitido no Brasil em gestantes e em crianças a partir de 2 anos de idade em concentração de 25% cujo período de proteção chega a 8 a 10 horas. Exemplo: Exposis

– DEET: Em concentração de até 10% pode ser utilizado em maiores de 2 anos, sendo que não deve ser aplicado mais que 3 vezes ao dia em crianças de 2 a 12 anos. Considerado seguro em gestantes. O tempo de ação dos repelentes a base de DEET recomendado para adultos (concentração de 15% do ativo), como os produtos OFF, Autan, Repelex, é de cerca de 6h. Já a versão infantil dura apenas duas horas.


IR 3535 30%: permitido pela Anvisa para crianças acima de 6 meses e seguro para gestantes. Seu período de proteção conferido é de cerca de 2h. Exemplo: loção antimosquito Johnson’s, Repelente infantil Huggies Turma da Mônica

Tenho um bebê de 4 meses! Não pode usar repelente?
Aqui no Brasil, a ANVISA e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam que abaixo de 6 meses sejam usadas somente barreiras protetoras, como mosquiteiros, roupas protetoras, telas nas janelas e portas. Não se recomenda o uso de repelentes.
Nos Estados Unidos, a Academia Americana de Pediatria e o CDC (Centro de Controle de Doenças) liberam o uso de repelentes com DEET e Icaridina com concentração de até 30% (de preferência 10%) em bebês acima de 2 meses. Por esse motivo, alguns pediatras estão liberando o uso para seus pacientes, pensando no risco-benefício. Converse com seu pediatra e siga sua recomendação.
Quais os cuidados no uso de repelentes?
A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda os seguintes cuidados ao se fazer uso dos repelentes:
– Evitar aplicação nas mãos das crianças;
– Não aplicar o produto próximo aos olhos, nariz ou boca;
– Aplicar na pele exposta, nunca por baixo da roupa pelo maior risco de toxicidade;
– O repelente deve ser aplicado 15 minutos após o uso de filtros solares, maquiagem e hidratante;
– Sempre lavar as mãos após aplicar o produto;
– Usar o produto no máximo três vezes ao dia;
– Em caso de suspeita de qualquer reação adversa ou intoxicação, lavar a área exposta e, se necessário, procurar o serviço médico e levar a embalagem do repelente;
– Não utilizar produtos que combinam protetor solar e repelente devido à necessidade de reaplicação do protetor com maior frequência.
Por que tem regiões em que não ouvimos falar de casos de Zika?
É impossível conhecer o número real de infecções pelo vírus Zika, pois é uma doença em que cerca de 80% dos casos infectados não irão manifestar sinais ou sintomas da doença e grande parte dos doentes não irá procurar serviços de saúde, dificultando ainda mais o conhecimento da magnitude dessa doença. Além disso, até o momento não há teste sorológico em qualidade e quantidade disponível, restringindo-se apenas na identificação do vírus por isolamento ou PCR (Reação de cadeia de polimerase) no quadro agudo da doença. Portanto, muitos casos em todo o Brasil tidos como “suspeita de dengue” podem ter sido devido a Zika, mas não foram diagnosticados, sendo apenas afastado o diagnóstico de dengue.
Porque os casos de microcefalia não chegaram ainda no Sul e Sudeste?
No último boletim do Ministério da Saúde, e 15 de dezembro, já há casos notificados e em investigação em São Paulo, embora ainda não confirmados. O período de maior circulação do vírus no Sudeste se inicia agora, mas não temos como saber a magnitude devido à dificuldade diagnóstica. O diagnóstico é de exclusão (se não é dengue e nem Chicunguya pode ser Zika). No ano passado, nessa época, São Paulo teve a maior epidemia de dengue da história mundial e, portanto, o mosquito vetor está presente em grande quantidade. Para os especialistas, é apenas uma questão de tempo até termos casos confirmados nessas regiões.
Por que em outros países existe o Zika vírus e nunca foram relatados casos de microcefalia?
Existem duas linhagens de vírus Zika circulante no mundo, uma africana e uma asiática. No Brasil está circulando a asiática, presente na Micronésia. A Polinésia Francesa, pertencente à Micronésia realizou recentemente análise retrospectiva do período de surto do vírus após essa suspeita de associação feita no Brasil e confirmaram que realmente houve grande número de casos de lesão cerebral em fetos na época. Na África é difícil obter esses dados estatísticos e há regiões com alto índice de mortalidade infantil.
E a suspeita de que os casos de microcefalia estejam associados a vacinas estragadas?
As vacinas são seguras. Não há registro na literatura médica nacional e internacional sobre a associação do uso de vacinas com a microcefalia. O controle de qualidade das vacinas é realizado pelo laboratório produtor obedecendo a critérios padronizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Além disso, o fato de os casos confirmados estarem distribuídos e se espalhando em vários estados torna essa hipótese ainda mais improvável e confirma a associação com a transmissão pelo mosquito.
Existem casos de lesão cerebral do Zika em crianças e idosos?
Não. As lesões neurológicas foram encontradas em fetos. Foram notificados casos de uma doença rara chamada Guillain-Barre em adultos, mas esta pode ocorrer em resposta a outros vírus e a bactérias e não apenas ao Zika. Não há até o momento nenhum indício de alterações neurológicas em crianças e idosos.
Da união de 3 pediatras nasceu a Saúde4Kids
Um ponto de encontro para troca de informações e dicas de saúde e bem-estar para mamães, papais, vovós, vovôs, dindas, dindos e todos aqueles que tem uma fofura para amar e cuidar.
Um canal para pediatras e profissionais de saúde infantil espalharem seu conhecimento sobre saúde e crescimento.
Sáude4Kids


Ana Laura Kawasaka